24 Jun Desmistificando a Linguagem Corporal

A curiosidade do ser humano em descobrir o que o outro pensa sempre foi inquietante.

Actualmente isso tem se tornado um tema insistente e da moda por meio da linguagem corporal.

Surgem assim, cursos “fast” e “especialistas” que se intitulam capazes de descodificar a complexidade que é o ser humano, como num passe de mágica. Nessa leva, aparecem mentalistas, mágicos e outros que de forma holística conseguem “ver” e decifrar o ser humano. E mais, alguns ainda dizem ser capazes de manipular o ser humano ou ensinar-lhe truques e/ou dicas para “ler” os outros a fim de obterem vantagens a nível pessoal e profissional.

No entanto alguns conceitos e valores estão em falta…

Decifrar alguem é julgar e condenar sem provas. Faltar com a ética é fazer mau uso do conhecimento. Fazer magia e vidência, não é ciência.

A comunicação humana (verbal e não verbal) tem a sua utilidade.  A comunicação não verbal, não serve para encontrar mentiras e querer saber o que os outros pensam. A comunicação humana não é só linguagem corporal, que propicia leituras descontextualizadas.

Uma leitura fria a partir de sinais é óbvia para pessoas que são observadoras ou lêem livros corriqueiros e nem por isso são “especialistas”, mas isso não quer dizer que façam uma análise aprofundada, ética, útil e científica. E depois para que serve apenas analisar a nós e aos outros, se não é utilizado um método de como optimizar toda a nossa comunicação para comunicarmos melhor para o outro??? A nossa comunicação reflecte-se no outro, logo não é o outro, mas nós  é que devemos mudar!

E mais do que saber o quê e o porquê, é saber o como! Deve-se considerar vários itens, além do verbal, do contexto e dos possíveis factores sistémicos, se não é magia, brincar de encontrar os sete erros e do prazer quase que doentio de querer descobrir a mentira e o que o outro pensa para tirar vantagem.  Isso é errado e perigoso.

O objectivo maior é conhecer a nós mesmos para modularmos a nossa comunicação, pois comunicamos para o outro  e isso é o mais acertado e por meio de um profissional especializado em instituições sérias. Certas análises do jeito que são feitas, são puro “achismo”, opinião do senso comum e não ciência, pois são superficiais, sem provas. A Comunicação Verbal e Não verbal não podem ser banalizadas, vistas com misticismo, de forma sensacionalista, mercantilista, fácil e divertida, porque envolve o ser humano.

Ninguém decifra ninguém e nem é especialista por meio de cursos  rápidos, sem conhecimento académico científico comprovado na área, sem ter ligação com a área da saúde, sem ter ética e experiência profissional.

Não se pode dar “dicas” por meio de sinais arbitrários sem conhecer o todo e nem se pode apontar “erros”. Não se pode avaliar apenas, nem expor o ser humano fora do contexto profissional. Um trabalho de melhoria deve ser realizado e ajustado às necessidades do sujeito, com base na ciência e ética, por meio de uma intervenção adequada.

Deve-se considerar vários aspectos e só assim um trabalho é sério e credível, voltado para os resultados.  Volto a repetir, é preciso ter conhecimento, ética e ciência, se não é charlatanismo e oportunismo. Tomar uma parte pelo todo incorre em imprudência, negligência e imperícia!

Dar dicas não é ciência é charlatanismo! Cuidado!