11 Jul Comunicação Humana como uma das sete soft skills mais requisitadas na atualidade

As pessoas comunicam e não se dão conta, pois é um processo natural. Mas esquecem que comunicamos para o outro e o resultado da nossa comunicação é a reação do outro. Essa reação pode ser positiva ou negativa, isto é, quando comunicamos causamos um impacto no nosso interlocutor.

Mas o que é comunicação?

É a ação de colocar algo em comum e ocorre porque existe o outro, sendo portanto um ato social.

E falando especificamente em Comunicação Humana, entre os diferentes tipos de comunicação como a visual, a digital, a língua de sinais, chamo a atenção para a Comunicação Verbal e Não Verbal.

A Comunicação Verbal relaciona-se à comunicação oral (fala) e escrita (também leitura), ambas ligadas ao idioma e à cultura em que o sujeito está inserido. Muitos aspectos tanto da micro estrutura (gramática), como da macro estrutura (uso social) dessa comunicação fazem toda a diferença quando falamos em uma pessoa alfabetizada e/ou letrada.  Saber utilizar a linguagem e a forma mais adequada de fazê-la é preponderante para comunicar bem, desde o uso das palavras certas na hora certa, como emiti-las, a sua ordenação no discurso e o seu correto uso. A retórica e a oratória estudam essas relações, assim como a linguística. Ela é objeto de estudo de cientistas, de linguistas, terapeutas da fala ou fonoudiólogos, entre outros profissionais, que devem ter conhecimento para trabalhá-la, pois é passível de melhorias e não só de correção nas patologias.

Já a comunicação não verbal é ampla e envolve uma série de canais: proxémia (distâncias), aparência  visual, expressão facial, postura, gestos, tato e voz.

Diferente do que as pessoas pensam, a voz é não verbal por conta de vários aspectos acústicos e perceptivo-auditivos que imprime, além da prosódia que de forma leiga, a tudo isso, chamam de TOM de voz. A voz, assim como a linguagem oral e escrita podem ser mensuradas, avaliadas e trabalhadas cientificamente por meio de protocolos e métodos validados para tal. Terapeutas da fala ou fonoaudiólogos são os profissionais habilitados para isso, seja na prevenção, promoção, otimização e reabilitação, quando necessária.

Da mesma forma a face, é cientificamente estudada por meio de um instrumento validado cientificamente, o FACS (Face Action Coding System), elaborado por Ekman, Friesen e Hager (2002), onde verificam-se as unidades de ação muscular  e cuja análise, deve se feita em laboratório por especialistas e autorizados para tal. Tanto as macro expressões muito relacionadas às expressões universais e primárias, como as micro expressões podem ser analisadas, essas últimas frame a frame por ocorrerem muito rápido, de ¼ a 1 segundo e é nelas que detectamos as incongruências entre o verbal e o não verbal. A melhor forma de análise é por meio de vídeos onde temos a dinâmica dos movimentos, o contexto, a fala, os fatores sistêmicos, o que não acontece em fotos que são posadas e estáticas e, podem induzir em erros.

A comunicação não verbal, diferente da linguagem corporal, corresponde à primeira impressão,  que é impactante, segundo Mehrabian (1971) que afirma que 93%  da nossa comunicação é não verbal e só 7%  relaciona-se ao conteúdo, ao verbal. No entanto, existem pesquisas  que contestam esse estudo, por erros metodológicos. As conclusões do estudo do autor revelam essa importância, mas hoje, com a evolução da ciência, não é mais dessa forma rígida.

Já a chamada linguagem corporal é um termo reducionista, leigo e sem comprovação científica até o momento. Ela baseia-se em sinais (arbitrários) que na verdade são vestígios, indícios e não provas, pois não existe um protocolo validado que estabeleça um padrão. Fatores sistêmicos, o contexto, a baseline e o verbal são fundamentais para podermos afirmar algo e ainda assim são indícios.

A ciência evolui e alguns cientistas sérios têm estudado essa área. No momento, com relação à linguagem corporal, ainda estamos no campo empírico. Logo, afirmar que uma pessoa mente por um sinal como coçar o nariz, por exemplo é uma opinião com base em um indício, mas não uma certeza e ciência não faz-se com opiniões, mas com fatos e provas. Coçar o nariz pode ser um hábito ou decorrente de uma alergia. Todo o cuidado é pouco e só um especialista sabe os limites disso.

Logo, estudar a comunicação é algo sério que envolve conhecimento científico, sigilo, ética e respeito pelo ser humano e não se trata de brincar de descobrir mentiras, julgar ou decifrar pessoas de forma fria e descontextualizada. É preciso saber analisar com critérios e propor melhorias com base em métodos credíveis, por profissionais habilitados e especializados.

O que podemos concluir com tudo isso é que comunicar bem, vai muito além do que pensamos e do que achamos que fazemos bem.

Você já pensou em tudo isso?

E como está a sua comunicação? O que ela diz sobre você?