06 Jul A comunicação e a internet

É facto que se ampliaram os meios de comunicação e, a internet, cada vez mais tem se tornado um vínculo de interação. Se pensarmos bem, até poucos anos atrás poucas pessoas possuíam telefones móveis e computadores. É óbvio que as facilidades aumentaram, pois podemos fazer muitas coisas sem sair de casa e estar conectados a qualquer canto da Terra. A quantidade de informações e a rapidez na sua veiculação fizeram do mundo virtual um mundo eleito.

No que diz respeito às relações, podemos vislumbrar que hoje é possível conectar com alguém do outro lado do oceano… mais barato, mais cómodo, mas nem por isso mais seguro. Parece incrível, porque podemos teclar com várias pessoas, criar laços e até intimidades. Mas qual será a qualidade dessas relações?

Não cabe aqui uma discussão psicológica e nem de um já polêmico tema: virtual versus real. Aliás, o que chamamos de virtual? E o que é real? Isso é tema para especialistas no assunto.

No entanto, o que chama a atenção nesse meio é a linguagem, não só a escrita estereotipada, mas as derivações e a tentativa de expressões de sentimentos por meio de emotions e pelas abreviações. E fica claro que a escrita é o tipo de comunicação empregada na maioria das vezes e o que sustenta essas relações.

Segundo Vygotsky a linguagem é sócio construída e a escrita assume uma representação simbólica. Portanto, a princípio, pode-se tudo em um determinado contexto de comunicação e para Bakhtin o meio determina o género de discurso a ser adoptado. Aliás, muitas vezes é mais fácil escrever do que verbalizar. Por que será?

Porque ao verbalizarmos nos expomos mais. A voz delata a nossa personalidade, a nossa identidade, a nossa cultura, o nosso género e o nosso estado de espírito. Com ela carregamos as nossas emoções e os nossos desafetos.

Quantas vezes ao teclarmos imprimimos um sentido e o nosso interlocutor compreende outros? Entendemos assim que a escrita é limitante, indireta, privada e distante e a intenção do discurso se perde, pois, faltam os recursos não verbais. Desta forma, o poder de ilusão, de imaginação se afloram, uma vez que se perde o canal de estímulo auditivo. Apreendemos então que é por meio das pausas, velocidade e ritmo de fala, variações de frequência e intensidade, dentre outros recursos, que podemos inferir o que o outro realmente quer dizer. Logo, isso implica em expressar-se, mostrar-se e muitas vezes as pessoas não estão dispostas a isso. Por isso muitas delas se negam em falar por voz e ainda mais expor-se na câmera, porque nesse momento entram em cena outros recursos não verbais e esse é mais um canal que se perde, isto é, o visual.

Muitas pesquisas apontam que a linguagem é corporal, ou seja, nossos gestos, a postura corporal e a nossa face revelam as nossas intenções e as impressões que causamos. Assim percebemos quando alguém nos agrada ou não, por exemplo.

E porque assim mesmo esse meio tem se tornado tão difundido? Um paradoxo. Talvez o mundo globalizado tenha tornado as pessoas mais acomodadas e individualistas e, ao mesmo tempo, muitas delas carentes e deprimidas. Possivelmente essas mesmas pessoas tenham encontrado nesse meio uma alternativa mais conveniente para expressar os seus sentimentos e as suas intenções do que em uma conversa habitual.

O que você pensa sobre isso?